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Paudalho
207 anos

História de Paudalho - PE

Segundo tradições locais, os índios tabajaras foram os primeiros povoadores das terras do atual município de Paudalho, que começaram a ser exploradas em fins do século XVI, com o corte do pau-brasil em suas florestas. A ocupação regular dessa região teria sido iniciada por volta de 1591, nos extremos de Goiana, Igarassu e Tracunhaém, a cerca de duas léguas da margem esquerda do rio Capibaribe, quando os franciscanos fundaram um aldeamento de índios.

Esse aldeamento ficava em terras do distrito de Santo Antônio de Tracunhaém, que depois passou à freguesia de Igarassu. Era a aldeia do conhecido índio Poti (D. Felipe Camarão), que tanto se celebrizou na guerra contra os holandeses. Esse local tem ainda hoje o nome de Miritiba, corruptela do tupi mbiri-tyba que, segundo alguns autores, significa “juncal”.

Aos primitivos habitantes juntaram-se os colonizadores e o povoado ingressou em uma fase de desenvolvimento, com atividades agrícolas e de pastoreio. Em consequência do plantio da cana-de-açúcar começaram a surgir vários engenhos. O primeiro que a história registra foi o Mussurepe, instalado por volta de 1630, na margem esquerda do Capibaribe, a 6 km da atual cidade de Paudalho, onde depois se instalou uma usina com o mesmo nome. No ano de 1660, nas terras de Miritiba, foi construído o Engenho Aldeia por Bartolomeu de Holanda Cavalcanti.

O nome

Ainda na segunda metade do século XVII surgiu o Engenho Bom Sucesso, fundado por Joaquim de Almeida. Em 8 de janeiro de 1711 chegara à margem esquerda do Capibaribe o português Joaquim Domingos Telles trazendo alguns parentes e muitos escravos africanos. Vinha explorar novos terrenos, apropriados para a cana-de-açúcar. No local ele fundou o Engenho Paudalho, o mais importante da região, que daria origem e batizaria o povoado. A denominação decorre da existência em suas terras, à margem direita do rio Capibaribe, de alguns exemplares de paud’alho, também conhecido como guararema (do tupi gwra’rema, que significa madeira malcheirosa).

Formação administrativa

O distrito de Paudalho foi criado em 1789. Em 1799, tendo a povoação atingido certo grau de importância, o bispo D. José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho nela estabeleceu um curato, desmembrando-a de Igarassu. As instruções foram dadas pelo bispo, em 31 de agosto desse mesmo ano, ao cônego visitador do bispado, D. Joaquim Saldanha Marinho.

A comarca de Paudalho foi criada pela Lei Provincial nº 86 (art. 3º), de 08 de maio de 1840, desmembrada da comarca de Olinda, sendo instalada no mesmo ano pelo juiz Antônio Batista Gitirana. O primeiro prefeito eleito foi o tenente-coronel José Francisco Pinheiro Ramos.

Turismo

Paudalho é um grande centro de romaria do Nordeste, cujo acesso é facilitado por situar-se à margem da rodovia BR-408, que liga o município à cidade do Recife, capital do Estado.

Os romeiros vêm entre setembro e janeiro ao Engenho Ramos, onde está a capela de Nossa Senhora da Luz, cumprir promessas a São Severino dos Ramos. Anexa à capela está a sala dos ex-votos, onde os fiéis depositam peças diversas, em agradecimento a graças alcançadas.

Outro ponto de interesse são as ruínas do Mosteiro de São Francisco, onde vários religiosos se refugiaram quando da ocupação holandesa em Pernambuco. Diversos prédios de interesse histórico são abertos à visitação: como antigos engenhos; a Ponte de Itaíba, do século XIX, inaugurada pelo Imperador Dom Pedro II; o Bosque de Pau-Brasil; a fábrica de beneficiamento do sal, instalada em prédio do século XVIII; a estação ferroviária (1891); os antigos casarões do início deste século, com detalhes ou fachada em azulejos portugueses; a casa de farinha do Engenho Açougue Velho; o açude zumbi.

A festa de São Sebastião, é a mais movimentada festa popular religiosa, porém o padroeiro da Cidade é o Divino Espírito Santo, com sua matriz localizada próxima à Prefeitura Municipal. Durante o Carnaval, a cidade conta com grupos de maracatu rural, bumba-meu-boi, urso e caboclinhos.