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ARTIGO

Sobre o livro “Escuridão” e a magia do folclore brasileiro

O folclore nacional é repleto de figuras míticas diversas, que a maioria já conhece: a Mãe d’Água (Iara), o Saci, o Caipora (ou Curupira) e muitos outros.

Postado em 29/01/2018 às 14:01 | Atualizado hoje às 17:33

capa do livro "Escuridão" (Foto: Divulgação)

Janaína Vieira / Escritora

Tive uma feliz

surpresa logo no começo do ano ao ler esse livro, de autoria de Alexandre Moreira, autor brasileiro. Literatura nacional sempre é muito bem-vinda, claro, mas a leitura se torna ainda melhor quando a história é envolvente, empolgante e bem escrita. Por isso, decidi falar sobre o livro neste post."

Janaína Vieira / Escritora

O folclore nacional é repleto de figuras míticas diversas, que a maioria já conhece: a Mãe d’Água (Iara), o Saci, o Caipora (ou Curupira) e muitos outros.

No entanto, existem alguns que são menos conhecidos e, curiosamente, muito mais apavorantes. O Mapinguari é um deles, sendo também o personagem central do livro.

A história dessa figura misteriosa, entremeada à de militares brasileiros em oposição a militares norte-americanos — que estão ilegalmente na Amazônia em busca de espécies raras —, é uma narrativa de tirar o fôlego. Não consegui parar de ler enquanto não cheguei à última página, que reserva um final tão surpreendente que me deixou sem fôlego. É muito bom constatar que a literatura brasileira vem se diversificando cada vez mais e que temos, hoje, escritores tão talentosos produzindo textos de alta qualidade.

Obviamente, é uma história bélica, acima de tudo, e que exige corações e estômagos fortes. No entanto, a trama é tão bem construída que somos literalmente levados ao coração da Amazônia, à região que o exército nomeou de Área TD-9, dividindo-a em quatro grandes áreas: setor Cascavel, setor Boipeva, setor Surucucu e setor Jararaca — nomes de cobras, como se estivessem adivinhando o perigo que lá se esconde. Porém, o inimigo verdadeiro, tanto de soldados brasileiros como de soldados americanos, está muito além da imaginação de qualquer um deles. E desde a primeira página somos apresentados àquele que o narrador chama de a Coisa. Em momento algum a narrativa cita o nome “Mapinguari”, mas sabemos que é ele mesmo quem está ali, fazendo tudo que faz oculto pelas sombras perenes da floresta

Amazônica, composta de imensas e centenárias árvores, altas como prédios, cujas copas formam um telhado eterno, que a luz do sol praticamente nunca consegue penetrar. Ali, em meio à escuridão, vive a criatura.

Caso um dia essa história se torne um filme, será maravilhoso! Até porque tudo se passa em 2003, ou seja, não está longe dos nossos dias. E se pensarmos no mapa que o livro apresenta da Área TD-9... Se pensarmos nas fotos em preto e branco de partes de documentos oficiais e... se pensarmos nas fotos de partes de corpos encontrados nessa região... paramos para refletir: será mesmo uma história de ficção?


Fonte: Janaína Vieira / Email: [email protected]

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